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O SENHOR SEMPRE ENVIA COLABORADORES

O texto de Lucas 10 começa dizendo: “Depois disso”, dando a entender que algo havia acontecido anteriormente. Os capítulos 9 e 10 começam de maneira muito parecida. No capítulo 9, Jesus envia os 12 discípulos, um grupo mais próximo d’Ele. No capítulo 10, envia outros 70 discípulos. Isso nos mostra que a missão não está limitada aos apóstolos. Jesus está formando uma comunidade missionária. 

Há uma distinção entre os Doze apóstolos e os outros discípulos enviados por Jesus. Nem todos possuem o mesmo ofício, mas todos podem participar da missão. Um discípulo é um aluno, aprendiz ou seguidor dedicado, que aprende e procura imitar os ensinamentos de seu mestre. 

Isso fica ainda mais claro quando olhamos para o final do capítulo 9. Ali encontramos três pessoas que desejavam seguir a Jesus, mas Ele confronta suas prioridades. 

O primeiro diz: 

“Vou seguir-te por onde quer que fores.” 

Jesus responde que as raposas têm suas tocas e as aves seus ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. 

O segundo ouve: 

“Siga-me!” 

Mas responde que primeiro precisa sepultar seu pai. Jesus lhe mostra que o Reino deve ocupar o primeiro lugar. 

O terceiro diz: 

“Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.” 

Jesus responde que ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus. 

Podemos resumir: 

Lucas 9:57-58 — O conforto: 
“Seguir-te-ei para onde quer que fores.” 

Lucas 9:59-60 — As prioridades: 
“Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.” 

Lucas 9:61-62 — As lealdades: 
“Seguir-te-ei, Senhor; mas deixa-me primeiro despedir-me dos de casa.” 

A repetição da palavra “primeiro” é fundamental. 

O problema não está simplesmente em ter casa, família, trabalho ou necessidades legítimas. O problema é quando alguma coisa se coloca antes de Cristo. 

Então, Lucas 10 começa dizendo: “Depois disso.” 

Jesus envia os setenta. 

É interessante perceber que Jesus não apenas convida; Ele envia e designa aqueles discípulos para a missão. 

Logo no verso 2, Ele ensina uma oração: 

“Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.” 

A missão pertence a Cristo. Ele é o dono da obra. 

É maravilhoso trabalhar para Ele. Se eu ou você não formos, Ele levantará outros. Isso deveria produzir em nós humildade, mas também gratidão pela oportunidade de servir. 

 

1. A missão é de Cristo e não deve ser feita sozinho 

Jesus envia os discípulos, mas não esconde os desafios. Ele diz que os está enviando “como cordeiros para o meio de lobos”. 

Jesus não romantiza a missão. 

Mas existe algo importante: Ele os envia de dois em dois. 

Isso me faz lembrar uma frase dita pelo nosso pastor Jeremias: 

“Sozinhos nós até podemos ir, mas juntos vamos mais longe.” 

A missão cristã é pessoal, mas não individualista. 

O envio de dois em dois nos lembra: 

Testemunho: a tradição bíblica valoriza o testemunho de duas ou mais testemunhas. 

Proteção: a missão poderia envolver hostilidade e perigo. 

Encorajamento: um discípulo fortalece o outro. 

Comunhão: a missão não é uma aventura de heróis solitários. 

Prestação de contas: o ministério acontece em comunidade. 

Isso combate uma ideia muito comum: 

“Eu e Deus resolvemos tudo sozinhos.” 

A missão não foi feita para ser vivida dessa maneira. 

 

2. A missão exige foco e dependência 

Jesus também deixa claro que a missão não é um passeio ou uma viagem de turismo. Os discípulos deveriam levar apenas o necessário e não ficar preocupados com suas bagagens. 

Era necessário foco na missão. 

Jesus também diz para não ficarem conversando pelo caminho. O judeu tinha por hábito uma saudação prolongada, que poderia atrasar a viagem. Jesus não estava ensinando os discípulos a serem mal-educados, mas mostrando a urgência e o foco da missão. 

A missão começa com uma palavra: 

εἰρήνη — eirēnē — paz. 

Mas não é simplesmente desejar a alguém um dia tranquilo. No contexto bíblico, paz envolve: 

bem-estar; 

reconciliação; 

plenitude; 

restauração. 

A paz anunciada pelos discípulos está ligada ao Reino de Deus. 

“Se houver ali um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz.” 

O filho da paz é alguém receptivo à mensagem. 

Mas precisamos lembrar de uma verdade importante: 

O Evangelho divide. 

Alguns recebem, outros rejeitam. 

A mesma mensagem que produz paz em alguns pode provocar rejeição em outros. 

Jesus também ordena que os discípulos permaneçam na mesma casa. Eles não deveriam ficar procurando uma hospedagem melhor: 

“Essa casa é simples. Vou procurar outra.” 

Jesus ensina a permanecer. 

Isso combate: 

oportunismo; 

materialismo; 

comparação; 

interesse pessoal. 

O mensageiro não deve escolher o campo pelo conforto que ele oferece. 

O trabalhador é digno do seu trabalho. 

O discípulo recebe aquilo que Deus providencia. Não exige cardápio específico, hospedagem luxuosa ou conforto especial. 

Jesus está ensinando uma espiritualidade de contentamento. 

O apóstolo Paulo também aprendeu isso e escreveu em Filipenses 4:11-13 sobre saber viver tanto na abundância quanto na necessidade. 

 

3. A missão anuncia o Reino de Deus 

No verso 9, encontramos o centro da missão: 

“Curai os enfermos que nela houver e anunciai-lhes: A vós outros está próximo o reino de Deus.” 

A missão possui palavra e ação. 

Existe cura e proclamação. 

Entretanto, a cura não é a mensagem final. 

Qual é a mensagem? 

“A vós outros está próximo o Reino de Deus.” 

Não podemos nos esquecer de que o principal motivo da vinda de Jesus ao mundo não foi simplesmente curar pessoas, prosperá-las ou resolver seus problemas. Ele tem todo poder para fazer essas coisas, mas veio para algo muito maior: morrer em nosso lugar e nos comprar com Seu sangue para o Pai. 

Por isso, a principal notícia do Evangelho é: 

Jesus morreu, ressuscitou, está vivo e voltará. O Reino de Deus está próximo. 

Os discípulos foram enviados às cidades que Jesus visitaria posteriormente para anunciar que o Reino estava chegando. 

Em outras palavras: 

O Grande Rei está chegando. 

Perceba que a notícia é sobre Jesus. 

A missão é d’Ele, sobre Ele e para Ele. 

Eu e você vivemos dentro de uma realidade que a teologia chama de “já e ainda não”. 

Em Cristo: 

O Reino já chegou. 

Mas: 

O Reino ainda será plenamente consumado. 

Jesus inaugura o Reino. Sua morte garante a redenção. Sua ressurreição inaugura a nova criação. Sua ascensão estabelece Sua autoridade. Sua segunda vinda consumará o Reino. 

Portanto: 

A igreja vive entre a inauguração e a consumação do Reino. 

Enquanto a consumação não chega, precisamos continuar trabalhando na missão de anunciar o Reino de Deus. 

 

4. A rejeição não anula a missão 

Jesus também prepara Seus discípulos para a rejeição: 

“Quando, porém, entrardes numa cidade e não vos receberem...” 

Observe: Jesus não promete que todas as cidades receberão os mensageiros. 

Isso é muito importante. 

A fidelidade do discípulo não é medida pela aceitação da mensagem que ele anuncia. 

Às vezes pensamos: 

“Se Deus está comigo, todos vão aceitar.” 

Jesus nunca prometeu isso. 

A mensagem não é sobre você ou sobre mim. É sobre o Senhor Jesus. 

Quando os discípulos sacudissem o pó dos pés, isso seria um gesto simbólico de que não queriam levar consigo a responsabilidade pela rejeição da mensagem. 

Mas mesmo diante da rejeição eles deveriam continuar dizendo: 

“Sabei, contudo, isto: está próximo o reino de Deus.” 

Mesmo quando rejeitados: 

precisamos continuar anunciando o Reino do nosso Rei. 

Aqui encontramos uma distinção importante: a soberania de Deus não elimina a responsabilidade humana. 

A tradição reformada sustenta simultaneamente que Deus é soberano e que o ser humano é responsável por sua resposta ao Evangelho. 

Jesus trata a rejeição como algo sério: 

“Naquele Dia haverá menos rigor para Sodoma do que para aquela cidade.” 

Aqui encontramos uma referência ao Dia do Juízo. 

Existe uma responsabilidade proporcional à luz recebida: 

Quanto maior a revelação, maior a responsabilidade. 

Quanto mais claramente o Reino é anunciado, mais séria é a rejeição. 

O ministério presente possui consequências eternas. Evangelização, portanto, não é simplesmente oferecer informação, promover valores ou melhorar a autoestima. 

Estamos anunciando uma mensagem relacionada ao destino eterno. 

 

5. Deus usa seus servos na missão 

Observe a sequência: 

Deus escolhe. 
Deus chama. 
Deus envia. 
Deus capacita. 
Deus salva. 
Deus preserva. 

Porém, Deus utiliza meios. 

E um dos meios estabelecidos por Deus é: 

A proclamação do Evangelho por seus servos. 

Paulo pergunta em Romanos 10:14-15: 

“Como ouvirão, se não há quem pregue?” 

Portanto: 

Eleição não elimina evangelização. 

Pelo contrário: 

A soberania de Deus dá esperança à evangelização. 

O discípulo de Cristo não precisa produzir o novo nascimento. Ele precisa pregar fielmente. 

Como disse novamente nosso pastor Jeremias: 

“Como nós não sabemos quem são os salvos, precisamos pregar para todo mundo.” 

 

6. Oito princípios para a missão 

Podemos resumir Lucas 10:1-12 em oito princípios: 

1. Evangelização começa com oração. 
“Rogai ao Senhor da seara.” 

2. Evangelização depende do envio de Cristo. 
“Eu vos envio.” 

3. Evangelização acontece em comunidade. 
“De dois em dois.” 

4. Evangelização exige dependência. 
“Não leveis bolsa...” 

5. Evangelização envolve vulnerabilidade. 
“Cordeiros no meio de lobos.” 

6. Evangelização exige relacionamento. 
“Permanecei naquela casa.” 

7. Evangelização anuncia o Reino. 
“Está próximo o Reino de Deus.” 

8. Evangelização inclui a advertência sobre o juízo. 
“Naquele Dia...” 

Não se iluda: quando falamos sim, estamos dizendo não para várias outras coisas. E quando dizemos não para alguma coisa, estamos dizendo sim para outras. 

Jesus enviou os apóstolos e depois enviou os 70 discípulos. Isso mostra que a missão não está limitada aos apóstolos, mas alcança a igreja. 

Em outras palavras: 

Eu e você fazemos parte dessa missão. 

Se nós não formos, Deus levantará outros. Mas podemos perder a maravilhosa oportunidade de trabalhar para Aquele que nos salvou. 

A pergunta é simples: 

EU VOU. E VOCÊ? 

Se a resposta é sim, faça uma oração aí mesmo onde você está: 

Senhor Jesus, eu desejo te servir de todo o meu coração, com tudo o que tenho. Não quero ficar de fora dessa missão tão linda que um dia me alcançou. Usa-me, capacita-me e envia-me. Amém! 



- Pr. Leonardo Lobo - Pastor Auxiliar 

 

 

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