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O Criador e sua criação

Tudo que conhecemos tem uma origem, um princípio, uma gênese. Todos nós somos criaturas e temos uma data de entrada nesta vida. A ciência, que se dobra sobre pesquisas e estudos que pretendem oferecer respostas às infindáveis perguntas sobre a origem de todas as coisas, também tem uma origem, um início.

Há explicações distintas a respeito da gênese do universo e de tudo que nele está contido. Alguns defendem a tese de que uma grande explosão gerou tamanha complexidade e diversidade; gerou tudo que pode ser visto e tudo o que ainda está sendo descoberto. Com relação à vida, uns defendem a teoria de uma origem única, unicelular que originou esta multiplicidade de espécies vivas conhecidas e as que ainda não são conhecidas. Do ponto de vista da sociologia, antropologia e missiologia, encontramos conceitos diversos, mas com pontos em comum a respeito da criação. O senso comum da grande maioria das sociedades antigas aponta para a existência de um criador. O conceito de criação, queda e redenção está presente em praticamente todas as culturas antigas. Mito ou não, o fato é que o conceito de um criador que trouxe à existência tudo o que há é uma realidade e não há como negar. As Escrituras afirmam: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (Jo 1.1-3).

O Universo, em toda sua vastidão, é indecifrável. É impossível conhecê-lo em sua totalidade. Olhando para a criação concluiremos que houve a necessidade da existência de um criador. Na tentativa de demover o Criador do seu lugar, muitos segmentos resistem fortemente a esta verdade. A incredulidade não desacredita os fatos; a existência não depende de crenças, ou seja, o Criador nunca precisou da anuência das criaturas para que sua criação fosse perpetuada. Consequentemente, a crença ou descrença no Criador não elimina e nem abala a verdade.

As Escrituras Sagradas usam a seguinte frase introdutória: “No princípio Deus criou” (Gn 1.1). Neste ponto precisamos afirmar que nem todos que conhecemos têm uma origem, um princípio, uma gênese. O Criador é incriado, ou seja, ele não tem início e não tem fim. Ele é a origem de todas as coisas.

O teólogo e escritor Wayne Grudem escreveu sobre esse assunto as seguintes palavras: “O ensino bíblico a respeito do relacionamento entre Deus e a criação é único entre as religiões do mundo. A Bíblia ensina que Deus é distinto da sua criação. Não faz parte dela, pois ele a fez e a governa. O termo muitas vezes usado para dizer que Deus é muito maior do que a criação é transcendente. Simplificando bastante, isso significa que Deus está bem ‘acima’ da criação, no sentido de que é maior do que a criação e independente dela”.

No Novo Testamento, Paulo, contemporâneo de Jesus, que foi transformado em seu discípulo e apóstolo, registra em uma de suas epístolas que em Cristo “foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Cl 1.16). Aqui a criação dos seres celestes invisíveis é também afirmada explicitamente.

Um grande problema é instalado quando a criatura quer absorver cognitivamente e de forma plena o Criador. É menos trabalhoso criar um criador, o qual pode ser controlado, manipulado, moldado, do que crer que há um Criador independente, soberano, todo-poderoso, incontrolável e impossível de ser manipulado. Deus é completo! Não pode ser melhorado e nem diminuído. Ele é o Criador que mantém sua criação sob uma perfeita ordem. O Criador com poder para reverter avarias na criação e nas criaturas.

O Criador criou também o tempo e inseriu toda sua criação neste tempo. Ele também entrou no tempo, tornou-se gente e veio morar no meio de gente. Ele não é apenas transcendente, mas é também perceptível e comprovadamente imanente, presente, envolvente. Em uma época determinada e estabelecida por ele, este tempo será engolido pela eternidade e tudo será definitivamente restaurado à sua originalidade de perfeição. Nenhuma crença é necessária para sustentar esta realidade, mas crer neste Criador e submeter-se ao seu senhorio é imprescindível para estar com Ele por toda a eternidade.

Pr. Gidiel Câmara · Pastor Auxiliar