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Estudos e artigos

HARMONIA EM MEIO AO SOFRIMENTO

Uma das questões mais complexas a ser explicada está relacionada ao problema do sofrimento. A tentativa de encontrar as razões para o sofrimento, normalmente, tem ofuscado os seus propósitos. Para muitos, sofrer é um castigo, uma punição, um resultado direto de alguma ação praticada na clandestinidade ou na ilegalidade. Diante disso, uma pressão social, religiosa e psicológica exerce uma força brutal nos “ombros” de quem está padecendo sob algum tipo de sofrimento.

Olhando para as Escrituras Sagradas, mais especificamente para a primeira carta escrita por Pedro, entendemos que há sofrimentos que acometem apenas aqueles que são os genuínos seguidores de Cristo. O autor trata não somente da natureza do sofrimento, mas também lista algumas dicas preciosas para eles serem enfrentados.

Vale destacar que o sofrimento que é considerado um motivo de alegria, regozijo e honra é aquele decorrente de uma vida dedicada ao Senhor Jesus Cristo (1.6; 3.14,17; 4.12,13). Diante de tais sofrimentos os cristãos não devem fazer a opção pelo isolamento. Ao contrário, a opção deve ser sempre pelo ajuntamento, pelo estreitamento de laços de comunhão com o povo de Deus, com a igreja de Cristo, com a comunidade dos salvos. Em tempos de adversidade, em decorrência de enfrentamentos com o reino da escuridão, as orientações passadas por Pedro são riquíssimas.

Na sessão da carta que se encontra nos versículos 22 a 25 do primeiro capítulo, Pedro deixa claro que a verdade liberta, mas não imuniza quanto ao sofrimento. Ao contrário, parece que uma vez libertos, os cristãos são inseridos em um campo de batalha intenso. As oposições, pressões, perseguições tornam-se a normalidade desta nova vida (4.12,13).

Neste novo tempo, o amor é a arma mais poderosa que os seguidores de Cristo têm em mãos. O amor também é uma confirmação de que uma comunidade é de fato cristã (Jo 13.35). Esse amor é descrito por Pedro como sendo autêntico, sem fingimento, de coração. Desta forma, ele passa a ser o alvo. Trata-se de um amor intenso e constante. Na sua paráfrase deste texto, Eugene Peterson escreve: “amem-se uns aos outros como se a vida de vocês dependesse disso” (A Mensagem, 1 Pe 1.22).

Tendo o amor como alvo e, consequentemente, como uma prática, muitos benefícios podem ser desfrutados enquanto a caminhada é desenvolvida em direção à eternidade. Contudo, há o perigo real destes benefícios serem perdidos. Uma das causas é o isolamento, o distanciamento, a negação da comunhão e da celebração junto com a igreja. Na união e reunião dos santos uma santa harmonia é desenvolvida; harmonia em torno da palavra de Deus que é viva e permanente. Palavra que confirma que a nova vida recebida por intermédio de Cristo durará para sempre.

Por toda a carta Pedro trata da grande necessidade e valor do amor entre os irmãos e irmãs da fé. Este amor gera compaixão, misericórdia e humildade (3.8); exercita o perdão e inibe o pecado (4.8); promove o serviço e a gratidão (4.9,10). Isso implica valorizar estar juntos, andar juntos, celebrar juntos, servir juntos… uma valorização da comunhão. Juntos! Essa é a ênfase dada por Pedro. Na comunhão dos santos uns levam as cargas dos outros (Gl 6.2) em lugar de lançar mão de julgamentos; uns fortalecem os outros; uns animam os outros; uns erguem os outros e, juntos, todos sofrem, todos se alegram, todos perseveram, todos resistem e todos se voltam para Deus e contra o império da escuridão.

Você é da Família da Fé? Então o seu lugar é junto com a Família da Fé! Diga não ao isolamento! Junte-se a nós na provação, na adoração, na perseguição, na celebração, na edificação, na proclamação!…

Pr. Gidiel Câmara

Pastor Auxiliar